Celebridades, cultura santista, africana e fábulas marcam o 1º dia dos desfiles das escolas em Santos
Valéria Valenssa desfila na Passarela Dráuzio da Cruz como embaixadora do Carnaval Santista Alexsander Ferraz O desfile das escolas de samba do Carnaval de Sa...
Valéria Valenssa desfila na Passarela Dráuzio da Cruz como embaixadora do Carnaval Santista Alexsander Ferraz O desfile das escolas de samba do Carnaval de Santos, no litoral de São Paulo, começou na noite desta sexta-feira (6), na Passarela Dráuzio da Cruz. Os ingressos estão esgotados nos dois dias de desfiles e cerca de 10 mil pessoas lotaram o complexo. Na primeira noite, sete escolas se apresentaram, sendo três do Grupo de Acesso (Brasil, Império da Vila e Bandeirantes) e quatro do Grupo Especial (União Imperial, Real Mocidade, Vila Mathias e Independência). As agremiações do Acesso foram as primeiras a entrar, a partir das 21h. Cada uma teve entre 30 e 45 minutos para desfilar; enquanto as escolas do Grupo Especial contavam com 40 a 55 minutos na passarela. A Corte Carnavalesca abriu a passarela do samba por volta das 20h20, com o Rei Momo Fábio Sorriso (Bandeirantes do Saboó), a Rainha de Bateria Lumara Sampaio (Mocidade Independência), a Princesa Juliana Silva (Mocidade Amazonense), a Cidadã Samba Conceição Simões Lotério e o Cidadão Samba Francisco Ignacio, o Baliza. Ao todo, foram 20 minutos de desfile da corte, que sambou do início ao fim da passarela. Para Lumara, que desfilou pela primeira vez na Corte, foi uma sensação única. "Sempre desfilei em ala com a escola e hoje é uma sensação diferente e emocionante. Desfilei e vim com o conselho. Eles são história, resistência. Então vi à frente deles representando o Carnaval. Eu sou o Carnaval, então sentir tudo isso, é emocionante e não tem preço" GRUPO DE ACESSO Brasil Com o enredo: “Hoje é dia de Brasilidade”, a Brasil abriu o primeiro dia de desfiles em Santos Alexsander Ferraz Brasil foi a primeira escola a desfilar na avenida. Os portões da avenida do samba se abriram com a agremiação, do BNH, que tem 15 títulos do carnaval santista e tenta voltar a elite dois anos após cair para o Acesso. A agremiação, de cores verde, amarelo, azul e branco, entrou na passarela com 13 minutos de atraso, com o enredo: “Hoje é dia de Brasilidade”, buscando exaltar suas cores, identidades e sabores que dão origem a sua ancestralidade e nome. Os seus 500 componentes, divididos em 14 alas, trouxeram fantasias destacando as cores da bandeira do Brasil e a Floresta Amazônica, além de itens típicos da cultura brasileira, desde a feira livre, passando pelo futebol e no fim relembrando o calçadão da praia de Santos. Algumas fantasias da ala das baianas apresentaram problemas. Porém, isso não foi o suficiente para acabar com a energia dos seus componentes. O desfile foi em ritmo de superação, até porque a presidente da escola, Sandra Franco, não pode desfilar porque operou o fêmur na quarta-feira. A apresentação da Brasil estourou o tempo máximo em 1 minuto, completando o desfile em 46 minutos. Império da Vila Império da Vila desfilou na primeira noite do carnaval santista Alexsander Ferraz A segunda escola a desfilar foi a Império da Vila, da Vila Nova, que entrou na passarela às 22h05. Nas cores azul, vermelho e branco, a agremiação entrou com 700 componentes divididos em 12 alas, trazendo para a festa um enredo reverenciando as mulheres: “Maria: Faces da Mulher, a Força Feminina que Une o Céu e a Terra, Eis a Rainha de Todas as Eras, Laroye!”. A comissão de frente abriu o desfile fazendo reverência à força mística e sedutora de Maria Colondina, a Pombagira que atravessou os salões e bailes de máscara de antigamente. O destaque ficou para os carros abre-alas com muitos detalhes dourados e vermelhos, reverenciando a mulher de matriz africana. Outros dois carros também marcaram fizeram relação com a figura feminina. A porta-bandeira da escola, Yasmin Medeiros, sentiu-se emocionada desfilando. "Depois de quase 15 anos estou retornando, assumindo o primeiro posto. Eu desfilei na Império com 6 anos, e hoje tenho 28 anos. Tinha dado uma parada para cuidar mais das minhas filhas, e retornei com tudo, carregando meu manto sagrado". Ela também comentou sobre o forte enredo da escola. "A gente fala no enredo sobre o mundo que estamos vivendo, um mundo bem difícil. Hoje em dia tem muito feminicídio, e esse ano viemos falar muito das mulheres, as guerreiras, as que precisam vencer no mundo". As melhores colocações da Império, após sua volta ao carnaval santista, foram o 2° lugar no Especial de 2010 e o vice-campeonato do grupo 1 em 2018. O desfile durou 45 minutos, respeitando o tempo máximo para a escola. Bandeirantes do Saboó A Bandeirantes do Saboó foi a última escola do Acesso a desfilar na primeira noite do carnaval santista Alexsander Ferraz A última escola do Grupo de Acesso a sambar na primeira noite de desfile foi a Bandeirantes do Saboó, às 23h10. Com o enredo “Alice no Carnaval das Maravilhas - Loucura é não Sambar!”, a escola quer voltar ao Especial neste ano, após cair no ano passado. No ritmo de Alice do País nas Maravilhas misturado com a energia do Carnaval, a agremiação desfilou com 350 componentes, em 10 alas e um carro alegórico abre-alas com muitas cartas de baralho. Um dos destaques foi a rainha mirim, Nicole Oliveira, de 13 anos. Ela começou na Bandeirantes com 7 anos, sendo passista, depois Pérola de Bateria. Atualmente, ela é rainha mirim da escola. "Ela [escola] vem super forte, muito forte, porque todo mundo tá muito confiante que a gente vai conseguir dessa vez", afirmou. A escola já foi duas vezes campeã do Grupo de Acesso (2014 e 2024) e sua melhor colocação no Grupo Especial foi o 4° lugar em 2006. O desfile durou 46 minutos. A agremiação estourou um minuto. GRUPO ESPECIAL União Imperial União Imperial foi a primeira escola do Grupo Especial a desfilar no primeiro dia do carnaval santista Alexsander Ferraz Homenageando seus 50 anos de existência, a União Imperial do Marapé abriu o desfile do Grupo Especial por volta de meia-noite, com o enredo “Consagração em Orixá: Renascer em União é a Chave da Vida". A agremiação levou para a passarela do samba muita espiritualidade, celebrando seu cinquentenário com destaque para a ancestralidade, a valorização dos Orixás e a trajetória da escola, seguindo os preceitos da Umbanda e do Candomblé. O desfile evidenciou fortemente a Águia, mascote da escola. O carro abre-alas impressionou o público: uma alegoria de grandes proporções, rica em detalhes, com predominância do dourado e uma águia gigante com as asas em movimento. As mulheres da União Imperial também se destacaram. A rainha convidada foi a “rainha das rainhas”, Viviane Araújo, ao lado da musa da bateria, Sheila Mello. “É maravilhoso, é energia, é carinho. É um carinho muito grande que eu recebo aqui. Estou muito feliz de estar aqui mais um ano”, afirmou Viviane Araújo, que contou que esta é a segunda vez que desfila no Carnaval de Santos. Viviane Araújo desfila no Carnaval Santista pela União Imperial Alexsander Ferraz Sobre o enredo, a atriz e sambista disse sentir muito orgulho. “Como sou uma pessoa do Carnaval, uma pessoa que ama o Carnaval, poder participar desse enredo da União, de 50 anos, me deixa muito honrada”, declarou. Com fantasia azul e cheia de detalhes, Viviane representou um personagem da matriz africana. “O enredo fala de toda essa cultura afro, dos Orixás. Eu venho representando Ogum”. A escola se apresentou com 1.500 componentes, três carros alegóricos e 11 alas. A União Imperial soma em seu currículo 10 títulos do Grupo Especial. O desfile teve duração de 50 minutos, respeitando o tempo permitido. Real Mocidade Real Mocidade homenageou os 480 anos de Santos Alexsander Ferraz A segunda escola a entrar na avenida foi a Real Mocidade Santista, à 1h30. Com o enredo “Santos 480 Anos: Mundaréu do Povo, Cultura em Revolução”, a agremiação levou para a pista um espetáculo com cerca de 1.400 componentes, distribuídos em 15 alas e três carros alegóricos, exaltando a riqueza cultural da Cidade. Entre os destaques, estiveram o dramaturgo Plínio Marcos e a padroeira Nossa Senhora Aparecida. O carro abre-alas trouxe a Pinacoteca Benedicto Calixto, com a representação do artista logo atrás, simbolizando a importância das artes e da memória cultural santista. Também ganharam destaque o Santos Futebol Clube e, no encerramento, referências à cultura local, como o Museu Pelé, o Teatro Coliseu e as bailarinas, reforçando a diversidade artística da cidade. A musa da bateria, Laryssa Miranda Gomes de Vasconcellos, que desfilou por vários anos pela Sangue Jovem, fez sua estreia na Real Mocidade Santista. “Acredito que essa troca seja um novo recomeço na minha vida, para escrever uma nova história, um novo capítulo. Estar hoje na Real Mocidade é uma alegria, uma emoção enorme, ainda mais no meu primeiro ano de carnaval pela escola, levando o nome da cidade de Santos”, afirmou. Segundo a musa, a escola apostou fortemente na valorização cultural. “Falamos do hip hop, das danças, da Nossa Senhora do Monte Serrat, que é a padroeira da cidade, e a bateria vem representando o Santos Futebol Clube”, destacou. Para ela, a expectativa é a melhor possível. “Queremos ser campeões. Vamos fazer um lindo desfile para voltar a comemorar o título no Grupo Especial”, disse. A Real Mocidade Santista entra na avenida em busca de seu primeiro título no Grupo Especial. A escola fez o desfile em 53 minutos, estourando o tempo máximo em 3 minutos Vila Mathias Com foco na ancestralidade e na força do povo negro, a Vila Mathias foi a penúltima escola a desfilar na Passarela Dráuzio da Cruz. Alexsander Ferraz Com foco na ancestralidade e na força do povo negro, a Vila Mathias foi a penúltima escola a desfilar na Passarela Dráuzio da Cruz. Com o enredo “A Vila Mathias Coroa o Rei Batuqueiro: o Som que Ecoa do Quilombo ao Carnaval”. A agremiação levou para a avenida cerca de mil componentes, divididos em 10 alas, três carros alegóricos e um tripé, em uma homenagem ao Pai Felipe — ícone de resistência, fundador do quilombo que leva seu nome e figura de grande importância para o samba na região. Nas cores azul, amarelo e branco, a escola fez uma apresentação marcada pela reverência ao povo negro, especialmente aos quilombolas e àqueles que resistiram à escravidão. O terceiro mestre-sala, João Victor, e a terceira porta-bandeira, Sophia Cardoso, afirmaram que o objetivo da dupla é seguir no Grupo Especial. Eles também destacaram que a agremiação tem um enredo muito forte. "A gente vem falando sobre o Pai Felipe, sobre o quilombo do Pai Felipe, desde o início do nosso trabalho. Ele foi um quilombola de muito tempo atrás, uma referência desde quando começamos”. A escola já foi campeã do Grupo de Acesso em 2010 e 2012, e teve como melhor resultado no Grupo Especial o vice-campeonato em 2017. A Vila Mathias terminou o desfile em 54 minutos. Independência do Casqueiro Independência do Casqueiro foi a última a desfilar na passarela Dráuzio da Cruz Alexsander Ferraz A Independência do Casqueiro entrou na passarela por volta das 4h de sábado (7). Com o enredo “No Reino das Fábulas… Era uma vez o Encanto”, a escola celebrou seus 50 anos no Carnaval de Santos, levando para a avenida um verdadeiro passeio pelo universo das fábulas. Para contar sua trajetória, a agremiação desfilou com 1.500 componentes, distribuídos em 12 alas e três carros alegóricos. A comissão de frente encantou o público ao se apresentar como um “livro encantado”, dando início à história contada na passarela. O grilo falante, mascote da escola, foi o narrador da fábula apresentada na avenida. Repleta de referências a contos e histórias da literatura, a agremiação construiu um desfile celebrando o imaginário infantil e suas lições morais. No início, o intérprete Fernandinho SP passou mal e precisou de atendimento do Corpo de Bombeiros. Sem maiores consequências, ele se recuperou e voltou a cantar na passarela minutos depois. A musa da bateria, Hanna Aisha destacou que o enredo. “São aquelas histórias que ensinam valores morais. Cada ala representa uma fábula”, explicou. Sobre sua fantasia, Hanna explicou que representa o Ori, descrito por ela como 'o tesouro das fábulas'. “É a moral que cada história conta pra gente, um aprendizado que acaba sendo um verdadeiro tesouro”, completou. A segunda porta-bandeira, Rayana Rodrigues, ressaltou que a escola, representada pelo grilo, conta um pouco da história dos 50 anos da Independência do Casqueiro. O figurino dela fez referência ao conto do lobo e da ovelha. “Esperamos encantar a todos com a nossa fábula”, disse. A escola fez a apresentação em 53 minutos.